O uso de Correntes e elásticos na Musculação

20140823_115640aaaaa

Correntes e elásticos na Musculação

Quando falamos em musculação, ou treino com pesos, a primeira coisa que nos vem à cabeça é a musculação tradicional, usada principalmente para a estética. Os treinos de musculação tradicional com o objetivo estético ( Bodybuilding ) promovem tanto o ganho de massa muscular quanto a redução de gordura.

Outra vertente do treino com pesos é o Powerlifting. Os powerlifters são conhecidos pela sua extrema força. Eles passam anos treinando para que suas cargas no Agachamento, Supino e Terra sejam cada vez maiores. Para que isso aconteça é preciso que eles treinem de forma inteligente e estruturada.

Sempre existiu uma espécie de rivalidade entre os adeptos do fisiculturismo e os de Powerlifting. Na verdade, praticantes powerlifting podem se beneficiar utilizando métodos e técnicas de treinamento do fisiculturismo e vice-versa.

Um dos métodos muito utilizados pelos powerlifters americanos é o treino com correntes e elásticos. Louie Simmons vem usando correntes e elásticos no seu clube privado de Powerlifting, o “WestSide Barbell Club”, há anos.

As correntes e elásticos são chamados de “Resistencia Acomodativa” e são muito usados em exercícios básicos como supinos, agachamentos, Lev. Terra, Remada Curvada, mas o conceito funciona em praticamente todos os exercícios.

Como tudo na musculação, existem exercícios onde o uso desse artificio é mais indicado e existem outros onde não deveríamos usar.

Para entender como correntes e elásticos podem beneficiar seu treino, é preciso entender como funcionam as curvas de força.

CURVAS DE FORÇA

Basicamente, quando falamos em curvas de força, estamos nos referindo a um gráfico que ilustra a variação de força em cada grau da amplitude de movimento de um exercício.

Existem exercícios cujas curvas de força são ascendentes, ou seja, quanto mais se chega próximo do contração máxima do músculo alvo, maior é a capacidade do indivíduo gerar força. Dois excelentes exemplos disso são o supino reto e o agachamento.

No supino, quando a barra está encostada no peito, é bem difícil fazer o peso subir. À medida que a barra vai subindo, o movimento vai ficando mais fácil. Reparem que praticamente todo mundo “trava” o movimento nas partes mais baixas e depois que o spotter dá uma pequena ajuda, consegue-se terminar o movimento sozinho.

No agachamento é a mesma coisa. O movimento é bem difícil quando se está agachado -lá embaixo – e vai ficando mais fácil à medida que vamos subindo. E a grande prova disso é a quantidade de pessoas que diminuem a amplitude de movimento (descendo menos) para poder  utilizar mais carga.

Force-curve

 

Quantos caras você já não viu fazendo supino com muito peso e parando a barra a um palmo do peito antes de começar a empurrá-la para cima? Quantos agachamentos e leg-presses com uma amplitude de cinco centímetros?

Os exercícios com curva de força descendente são aqueles que são relativamente fáceis na porção do movimento onde a musculatura está mais alongada e vão ficando bem difíceis conforme se chega perto do ponto de contração máxima. Remadas e puxadores verticais são bons exemplos disso.

Ainda há um terceiro grupo, onde a curva de força é em forma de sino. Onde é bem fácil gerar força no início e no fim do movimento, mas é bem difícil gerar força no meio do movimento. Um grande exemplo aqui é a rosca direta.

Notem que quando falamos em curvas de força do movimento, não estamos dizendo propriamente que a variação de força é fruto apenas da capacidade do músculo de gerar força contrátil. A variação na capacidade de gerar força é devida também a alguns outros fatores, como mudanças principalmente nos braços de alavanca.

RESISTÊNCIA ACOMODATIVA

A grande questão é como aplicar isso tudo em nossos treinos?  Como isso funciona na vida real?

No Powerlifting, usamos a Resistência Acomodativa basicamente para alcançar dois objetivos: Ganhar força máxima em alguns pontos específicos do movimento e ficar mais rápidos.

Sempre que vamos realizar uma repetição máxima de agachamento, ou Terra, ou supino, o esforço é enorme e a necessidade de contrair todos os músculos envolvidos da maneira mais intensa e mais veloz possível é imprescindível. Os powerlifters ( assim como atletas de futebol, basquete, atletismo, rugby etc etc )  precisam força máxima e velocidade máxima.

Uma estratégia muito usada para desenvolver a força máxima em alguns períodos específicos da preparação é o uso de correntes ou elásticos. Seguindo o conceito de linhas de força, quando tentamos levantar uma carga muito alta, chegamos em um ponto do amplitude do movimento do exercício onde travamos, onde a nossa força não é suficiente.  O uso de resistência acomodativa nos permite adequar a curva de força daquele movimento para que possamos usar mais resistência onde é necessário com o objetivo de ganhar a força necessária naquela porção do movimento.

Quando falamos em velocidade, no powerlifting, isso pode soar estranho para quem não está familiarizado com o esporte. Os movimentos do powerlifting não parecem ser tão velozes quanto os do Levantamento Olímpico, por exemplo. Mas a velocidade de contração muscular é um fator primordial.

comece banner interno dcfit


A fórmula da potência na física é força vezes velocidade. Se aumentarmos a força, aumentamos a potência, se aumentarmos a velocidade, também. É claro que um cara que tem a força para levantar 60kgs no agachamento não vai se beneficiar enormemente com treinos de velocidade.  Os treinos de velocidade começam a funcionar muito bem e trazer frutos depois que o atleta já conquistou certa força.

Mas quando temos um atleta relativamente avançado, os treinos de velocidade têm muito a ajudar.

Em uma próxima ocasião, vou falar especificamente sobre treinos de velocidade para powerlifting. Mas só para ilustrar, nesse treino utiliza-se geralmente carga relativamente baixa (algo entre 50 e 65% da carga máxima) e volume relativamente alto. A grosso modo, o objetivo aqui é realizar o movimento com a maior velocidade possível.  E tanto as correntes quanto os elásticos permitem que a aceleração do movimento aconteça praticamente durante todo a amplitude do movimento. Mas isso realmente é assunto para outro artigo, pois tudo o que eu disse sobre treino de velocidade foi sintetizado ao máximo.

 


Veja também:  A segunda parte desse artigo – Resistência acomodativa no Bodybuilding  


 

Posts Relacionados

Newsletter

Informação de qualidade no seu email


Assine nossa newsletter para receber atualizações sobre os últimos artigos publicados, vídeos-tutoriais e promoções em consultorias.