A moça que fraturou o pescoço e os Profissionais de Educação Física

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SOBRE A MOÇA DO ABDOMINAL INVERTIDO E OUTROS ERROS GROSSEIROS

Esta semana a notícia da vez é a moça de S. J. do Rio Preto-SP que quebrou o pescoço e lesionou a medula enquanto fazia abdominal de cabeça pra baixo em um banco Scott (que é utilizado para treinar biceps.)
 
Os treinadores experientes e que sabem o que estão fazendo nunca passam exercícios como esses.
 
Geralmente os treinadores mais novos/inexperientes tendem a prescrever treinos e exercícios mais “mirabolantes” no intuito de impressionar o aluno e tentar mostrar que sabe alguma coisa.
 
Os clientes têm que entender que o treinador que realmente sabe é aquele que sabe o básico de cor e salteado, de trás pra frente, de olho fechado. É aquele que fala sobre a anatomia do ombro ou do quadril sem gaguejar.
 
O treinador que realmente sabe, prescreve treinos relativamente simples, pois seu conhecimento de biomecânica, cinesiologia, anatomia, fisiologia e treinamento esportivo é perfeito.
 
Dessa forma, ele consegue extrair o máximo do cliente, mesmo com treinos simples e muitas vezes utilizando poucos exercícios.
 
Um bom treinador consegue montar, planejar e programar o treino e ensinar o aluno a ser eficiente. 
 
Ao treinador ruim resta apenas copiar o que vê na internet, sem nem ao menos entender o que está fazendo.
Para ele, quanto mais diferente for o exercício, mais inteligente ele (o treinador) vai parecer aos olhos do aluno. 
 
Não estou dizendo que não se possa usar métodos alternativos de treino. Desde que saiba o que está fazendo.
 

Eu utilizo frequentemente com meus clientes bandas elásticas e correntes como forma de resistência variável. Mas para se dominar corretamente essa técnica, é preciso dominar biomecânica.

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E aí começamos a cair nos canastrões, nos sofistas, nos enganadores. Um treinador famoso, consultor de empresa de suplementos etc etc fez um video utilizando correntes.
 
O problema é que ele usou a técnica de maneira totalmente errada, ele não tinha a minima noção do que estava fazendo. Queria apenas o marketing, os likes no vídeo.
 
Eu critiquei e expus o fato. Ele, por sua vez, postou um video todo bravo (pois ele faz o estilo marrento) dizendo que quem o criticava estava sendo anti-ético. E ele tinha um diploma, portanto, a razão.
 
Cuidado com quem seguem na internet. Cuidado com quem contratam para cuidar de seus treinos e saúde.
 
E a internet torna tudo um enorme circulo vicioso. Por um lado temos Profissionais extremamente despreparados e sem vontade de pegar nos livros. De outro lado temos os blogueiros e blogueiras espalhando idiotices.
 
E aí temos o aluno, muitas vezes incentivado pelos blogueiros a fazer certos exercícios.
 
O papel do profissional nessa hora é explicar e dissuadir a pessoa utilizando o conhecimento, informação e fatos concretos.
 
Mas no fim das contas o treinador que está ali nem sabe a diferença de um leg-press normal e um leg-press de “ladinho”; outras vezes acha que se disser para o aluno deixar de fazer o hack de “ladinho com a perna cruzada” e pedir que faça o hack convencional, o aluno vai achar que ele não sabe nada.
 
Há também quem culpe os alunos, os clientes – pois eles vêem as coisas na internet e querem fazer aqueles exercícios absurdos. A culpa é sua, meu amigo Profissional de Educação Física, que não tem argumentos fortes o suficiente para derrubar as “dicas” de uma blogueira.
 
É nossa obrigação Profissional ensinar e levar práticas seguras e eficientes de exercícios para a população.
 
Casos como a tragédia dessa moça em Rio Preto nos mostram cada vez mais que ser Profissional é muito, mas muito mais do que ter uma carteirinha no bolso e um diploma na parede.

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